Consumidor brasileiro prioriza experiência, sabor e confiança na escolha de chocolates, mesmo em um cenário de orçamento apertado
A Páscoa de 2026 confirma uma mudança importante no comportamento do consumidor brasileiro: o preço segue relevante, mas já não é o principal fator de decisão. Segundo a pesquisa “Intenção de Compras para a Páscoa 2026”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil em parceria com a Offerwise Pesquisas, a qualidade (45%) ultrapassou o preço (44%) como principal critério na escolha dos produtos.
O dado chama atenção em um contexto ainda pressionado pelo orçamento. Afinal, 51% dos consumidores que não pretendem comprar na data afirmam estar priorizando o pagamento de dívidas. Ainda assim, o mercado projeta uma Páscoa de expansão moderada, com 106,8 milhões de consumidores ativos.
A leitura não é de relaxamento financeiro, mas de mudança de prioridade: o consumidor pode até gastar menos ou ajustar o volume, mas quer acertar na escolha.
Para Priscilla Caselatto, gerente de marketing de chocolates da Nestlé, essa inversão revela um consumidor mais criterioso e orientado por valor. “Essa mudança mostra que o consumidor está mais atento à qualidade e sabor dos produtos, priorizando itens que transmitam confiança e uma experiência diferenciada. O preço continua relevante, mas há mais opções em diferentes formatos que permitem presentear com qualidade dentro do orçamento”, afirma.
Qualidade como sinônimo de acerto na compra
Mais do que uma escolha racional, a busca por qualidade está diretamente ligada ao significado da data. A Páscoa segue sendo um momento de troca afetiva, o que aumenta a pressão por acertar no presente.
Os dados reforçam esse comportamento. A maior parte dos consumidores pretende comprar para os filhos (54%), mães (36%) e cônjuges (35%), enquanto o auto presente também ganha espaço, alcançando 33%, especialmente entre mulheres e consumidores das classes A e B.
Nesse contexto, errar na escolha pesa mais do que economizar alguns reais. “Com o desejo de acertar no presente, a marca assume um papel fundamental como garantia de qualidade e sabor. O consumidor segue comemorando a data, mas está mais atento às possibilidades de escolha”, explica Priscilla.
O que significa “qualidade” para o consumidor
Embora o conceito pareça subjetivo, ele é, na prática, bastante concreto e multifatorial. Segundo a executiva, qualidade não está restrita ao sabor. Ela envolve um conjunto de elementos que, juntos, constroem a percepção de valor. “O sabor é essencial, mas não basta sozinho. A apresentação reforça a ideia de presente, os ingredientes traduzem cuidado, a marca transmite confiança e a personalização agrega exclusividade. Tudo isso forma a experiência”, afirma.
Essa visão ajuda a explicar o crescimento de produtos artesanais e personalizados, que já alcançam 40% de intenção de compra na categoria de ovos. Ao mesmo tempo, marcas tradicionais mantêm relevância, sustentadas pela confiança construída ao longo do tempo.
Outro ponto importante é que a valorização da qualidade não significa, necessariamente, aumento no ticket médio.
A pesquisa indica uma despesa média de R$ 253, com cerca de cinco itens por consumidor, um sinal de que o brasileiro está diversificando mais a cesta de compra, combinando diferentes formatos como ovos, barras e bombons. Essa estratégia permite equilibrar orçamento e experiência.
Além disso, 82% dos consumidores pretendem pesquisar preços, sendo que 40% intensificam essa busca nas duas semanas anteriores à data. Ainda assim, 45% deixam a compra para a última semana, mostrando que a decisão final continua concentrada no curto prazo.
Estratégia para o varejo: experiência acima da guerra de preços
Diante desse cenário, a tradicional disputa baseada exclusivamente em preço perde força. O desafio passa a ser como traduzir qualidade em estratégia comercial. Para Priscilla, o caminho está na combinação entre sortimento e experiência no ponto de venda. “Os consumidores querem vivenciar a Páscoa. Por isso, investir em ambientes mais lúdicos e envolventes dentro das lojas se torna essencial, criando uma conexão maior com a marca e com o momento”, explica.
Além disso, a ampliação de formatos, como tabletes, caixas e itens presenteáveis, ajuda a atender diferentes perfis de consumo sem depender exclusivamente dos ovos de Páscoa. Esse movimento ganha ainda mais relevância considerando que 95% das compras devem ocorrer em lojas físicas, com destaque para supermercados (62%) e lojas especializadas (44%).
Apesar do avanço de produtos artesanais e premium, o cenário não aponta para uma substituição das marcas tradicionais, mas sim para uma ampliação do leque competitivo.
“Esse movimento abre espaço para todos, do premium às marcas tradicionais. As marcas consolidadas já carregam atributos de qualidade e oferecem portfólios amplos, capazes de atender diferentes perfis sem perder relevância”, afirma a executiva.
Páscoa reforça o valor da experiência
No fim, a principal mudança não está apenas no que o consumidor compra, mas no porquê ele compra. Com 97% dos brasileiros afirmando que pretendem celebrar a data, majoritariamente em casa ou com a família, a Páscoa se consolida cada vez mais como um evento de experiência, e não apenas de consumo.
E, nesse contexto, qualidade deixa de ser diferencial para se tornar pré-requisito.
Fonte: Varejo SA
